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sexta-feira, 15 de março de 2013

ENTRANÇA

Rumino..
enquanto caço rumos
que me sumam
ou apascentem-me.

Cogito..
gritos mugidos
que espantam
a velhacaria,
os engodos
dos gordos donos de bois
abastecidos dos desperdícios.

Sossego...
adentro mato-selvas,
sombras claras
donde passo discreto
a passos largos e distantes
desses homens ditos retos,
banhando em águas sanas
livres de seus restos.








raízes




nasço 
dos decompostos 
debaixo  das pisadas
e pisoteadas
sustentando  passos de folias e agonias



cresço 
entre ruínas
resquícios de   glórias e  avarezas 
já passadas e esquecidas



alimento me daquilo que é morto
 disso faço frutos, flores, folhas



rebento
em redutos
 por atos
ao relento



retenho e espalho
esparramo me
alastro me
cavo fundo
da superfície 
ao profundo

profusa seiva
dos submundos
de meu tronco 


pés de olhos 
vejo como raízes




sábado, 9 de março de 2013

MATUTO


Inventário sou eu quem invento? Invento de fazer o quê? ou, invento o quê? a minha ancestralidade? inventar algo que já existe e sempre existiu e existirá? pelo que posso conceber dentro da limitação do tempo e espaço...

Invento de ser o que está lá, guardado e dormindo dentro de mim. Um arquétipo, um ser ancestral, um totem. Um silvestre animal, que muge, assim, um homem, um tanto rude. Sua voz é de berro, seu talento é de matuto. Vaqueiro de sua vaca, mateiro com sua enxada. Mais faz do que fala, mais olha do que pensa. Expressa modos de pedir licença e todo fim e início de dia aos céus pede bença.

Está cerrado dentro de mim
A vastidão desse espaço
De natureza exuberante
Rompem me correntes d'água
Sementes, brotos e botões
Rasgam me a carapuça
Saio de onça e caço



Cabreiro


É tão perto...

Esse mesmo povo outro

Tão próxima essa maneira outra de viver

Ao mesmo, tão distante

De meus modos,  citadinos

É tão longe...

Sou tão eu lá, no íntimo da terra

Tão infamo aqui, de sapatos

Sem minha voz que aberra


Esse viver normal de cidade...