quinta-feira, 26 de julho de 2012

A Caçada da Rainha 2012 - O PRIMEIRO POUSO


Nosso primeiro pouso

12 de julho de 2012

Enfim, chegamos em Colinas do Sul.
O sol já se escondia, deixando seu rastro multicores.
A ansiedade espantava o cansaço das 8 horas de viagem.
O silêncio nas ruas do interior sempre me convidam a viajar ao meu próprio interior. A ausência do zum zum zum da cidade grande amplifica meus sentidos. O ar seco e empoeirado tem cheiro de antigamente, quando eu visitava meus parentes no interior de São Paulo, acompanhada de minha tia avó Pierina...

Olho para meus filhos e fico feliz por eles estarem vivenciando esses momentos comigo. Fecho os olhos em prece e agradeço...

O que estamos esperando??  Vam'bora pro pouso!!

Nas paredes dos estabelecimentos comerciais da cidade estavam pregados o cartaz da Caçada da Rainha. Curioso:


então fomos...

Seguimos então com a van novamente, por mais 20 km adentro "da Colina", em estrada de chão.

Engraçado isso : estrada de chão...

Parece que as outras estradas com o chão escondido pelo asfalto tiveram sua ancestralidade escondida também...

Seguimos saculejando Colina a dentro...
Vam'bora pro pouso!!

E então chegamos...
A pegunta de todos, ainda dentro da van:
"Cadê Zè Nilo??"
" Ali, Ali!! De chapéu! Já vi!"

E enfim: ZÉ NILO !!!





  
Nem acreditei:
Estávamos num pouso. Estávamos com Zé Nilo. Pronto!!

Zé Nilo, depois de abraçar o Sertão*, pegou o caçula da viagem - Lui - nos braços e levou a todos pra cozinha, para se servirem e estarem a vontade.







Lá, cozinheiras feiticeiras garantiam o combustível da festa. E enfeitiçavam nossos sentidos com poções mágicas de guariroba, arroz, feijão, frango caipira, paçoca, mandioca... O cheiro da comida fazia emudecer. As panelas no fogão caipira eram um deleite aos olhos e ao paladar. Zé Nilo ficou com o grupo, e não saiu de perto até que todos estivessem bem alimentados e satisfeitos. Da mesma forma o fez a dona da casa (nome em breve).






As crianças corriam soltas em volta da fogueira.

A catira já ia começar. Eu só tinha a agradecer...

*Sertão: como Zé Nilo carinhosamente chama Olavo Telles, do Grupo Sertão.







A Caçada da Rainha - APRENDENDO A SER GENTE


“Guimarães Rosa foi quem, melhor do que ninguém, soube transcriar a riqueza cultural desses povos, ao afirmar que os gerais são ‘uma caixa d'água' e, com isso, mais do que os cientistas, iluminou a leitura de nossa geografia aos nos fazer ver que os nossos rios nascem nos cerrados – o São Francisco, o Jaguaribe, o Parnaíba, o Tocantins, o Araguaia, o Xingu, o Madeira, os formadores do Paraguai (o Pantanal), o Paranaíba, o Grande, o Rio Doce”.

O trecho acima é de Carlos Walter Porto-Gonçalves, da Universidade Federal Fluminense, em sua Carta aberta à invisibilidade do Cerrado na política ambiental (LINK ao lado).

Na carta Carlos Walter nos atenta ao descaso das políticas ambientais em nosso país, incluindo à invisibilidade do Cerrado.

Eu mesmo, antes de chegar em Goiás, não sabia de cerrado... Tinha uma vaga idéia de vegetação rasteira, com baixa diversidade. E cheguei aqui sem saber diferenciar uma árvore comum de um pé de manga...

Acho que por isso me veio o "Paisagens Corporais"...

Aqui, nesse Cerrado azul e laranja, aprendi a ver. A ver e a sentir o meu redor. Minha pele sente o seco e o molhado, meus olhos acompanham os ciclos dos "pé-de-tudo-quanto-é-coisa", minh'alma se encharca nessas águas... E os Ipês choram flores...

Aprendi a apreciar as aleluias,  e sentir a presença divina em sua busca pela ascensão...  

Me comovo com o grito da cigarra que prenuncia, com seu último fôlego, que as águas estão chegando. 

E estou buscando me inspirar nas pessoas daqui ou, como diz Olavo, estou aprendendo a ser gente. Aprendendo o sentido da generosidade.

A Caçada da Rainha - PAISAGENS CORPORAIS


Paisagens corporais...

 Às vezes volto a me perguntar o que está sendo este projeto, uma vez que a cada dia toma outras dimensões. 



Brotou de uma tentativa poética de resgatar valores culturais do cerrado que vão se perdendo, de resgatar a natureza que vamos perdendo. 




Agora estamos coletando imagens , sons e memóriads espalhadas pelo norte de Goiás, para uní-las em forma de um espetáculo. Um condensamento de vivências, gotas de poesia que se formam em minha superfície, e escorrem  para formar o rio que carrego em mim. 



Paisagens Corporais surge como um rebojo interior se preparando para escoar pelos corpos dos artistas participantes. 



sábado, 21 de julho de 2012

Cerrado, Kalunga - Um lugar para o meu ser tão cerrado

Um lugar para o meu ser tão cerrado

Mais pra dentro, ao centro, um lugar-sertão, cerrado, recortado por rios e riachos de águas frias rachando e deslizando sobre as rochas, berços de cristais, sob um céu azulaço, estreladaço.



Dentro de meu corpo há um lugar assim, remoto e sensível, onde razão nem conhecimento somente não conseguem adentrar. Está lá a minha mais profunda e sincera expressão, a de uma eterna devoção a tão exuberante e magnânima natureza. Tremo como a terra quando pés de catira cavalgam batendo nela, gemo junto ao jorros de águas cristalinas que nascem e habitam essa terras tão rupestremente gentis.




sábado, 14 de julho de 2012

A Caçada da Rainha - MÚSICA NO CÉU

MÚSICA NO CÉU

sexta-feira, 13 de julho de 2012. 

Bem cedinho, Zé Nilo, organizador da Caçada da Rainha, estava junto com a comunidade ajudando nos preparativos para Festa. 

"Foi a primeira vez que fizemos assim, com fitas. 
A gente fazia com bandeiras...", diz Zé Nilo.





  As fitas abraçam a praça, abençoando quem 
por debaixo dela passa.

  A praça toda parece estar dando as mãos, numa grande ciranda.

  Uma ciranda de fé e generosidade.

Me atento ao contraste entre as cores do divino, da nossa senhora do rosário e do céu.

O vento faz cócegas nas fitas, que brincam de colorir o céu.

Uma grande harpa dedilhada pelo vento.

Até dá pra escutar a melodia...

A Caçada da Rainha - SOBRE O SAGRADO

 Aqui em Colinas, testemunhando sinais de santidade e devoção verdadeira nas buscas persistentes e desinteressadas pelo sagrado.

"Cartas perto do coração" de Fernando Sabino e Clarice Lispector, um trecho transcrito abaixo:

"... o verdadeiro testemunho é o dos santos e nossa tristeza mais irremediável é de nem ao menos saber onde é que perdemos nossa única oportunidade de sermos santos."



sexta-feira, 13 de julho de 2012

... Fernando Pessoa...

Tudo vale a pena quando a alma não é pequena.
O princípio da cura está na consciência da doença, 
o da verdade no reconhecimento do erro.
O valor de uma nação se mede pela cultura, saúde 
e energia dos seus membros.
Para vencer – material e imaterialmente – 
três coisas definíveis são precisas:
saber trabalhar, aproveitar oportunidades e criar relações.

(Fernando Pessoa - Livro do Desassossego)